Há duas décadas o país vivia um período de grande instabilidade financeira, com diversas mudanças econômicas, inflação e oscilações que afetavam diversos segmentos do mercado. Porém, mesmo em meio à crise da época, o Grupo Tejofran não se abateu e firmou, em 1987, seu primeiro grande contrato na área de Ferrovias, passando a oferecer mão-de-obra especializada para executar serviços de limpeza na antiga Fepasa (Ferrovia Paulista), fazendo com que a empresa desse um salto de 100 para 600 colaboradores.
Hoje, 2 décadas depois, o Grupo Tejofran tornou-se um nome reconhecido no mercado, e sua atuação na área de Ferrovias vai muito além da prestação dos serviços de limpeza executados no passado. Com a implantação do modelo de privatizações ocorridas entre 1995 e 1998, muitos funcionários foram demitidos e, na nova visão dos gestores privados mais serviços passaram a ser terceirizados, o que fez com que o Grupo Tejofran absorvesse grande parte dos melhores servidores do corpo ferroviário da Fepasa, tornando, por sua vez, seu serviço ainda mais especializado, com mão-de-obra e tecnologia pronta para atender às necessidades de qualquer cliente no setor.
Prova disso é o Consórcio BT Brasil, formado entre a empresa canadense Bombardier e a Tejofran, que, em processo licitatório aberto pela CPTM, foi contratado com a responsabilidade de reformar e garantir a manutenção de 24 carros de passageiros da série 5.500 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Essa ação é parte integrante do Programa Boa Viagem, que prevê a modernização de 122 trens, num total de 328 carros, que representam cerca de um terço da frota da CPTM, e tem como objetivo principal a modernização com aplicação de recursos tecnológicos de última geração para gerar uma melhora imediata na prestação de serviços seguros e confiáveis aos usuários do sistema.
O projeto, que teve início em novembro de 2005, acaba de entregar o primeiro lote de 4 trens com 2 carros cada, e a modernização total prevê para o final de 2007 a entrega dos demais completamente modernizados. “Fizemos a reforma geral do interior dos carros substituindo pisos, bancos, janelas, ventilação, sonorização, além de novas portas automáticas com acionamento elétrico, nova comunicação visual interna e externa; recuperamos e adaptamos as caixas de aço inoxidável; instalamos novos acessórios e equipamentos, bem como novas máscaras frontais e reforços estruturais.”, explica Sergio Uchoa, gerente do Consórcio BT Brasil no Grupo Tejofran.
Ainda de acordo com o gestor, as mudanças que os equipamentos sofreram foram muito significativas. “Assim que chegaram às oficinas, os trens foram inteiramente desmontados, tendo sido mantida apenas a sua caixa. As demais peças foram completamente removidas para dar lugar a novos itens, como freios eletrônicos, estribos para diminuir o vão entre plataformas e trens, renovação do sistema mecânico e lataria, instalação de itens para acessibilidade, troca de luminárias, faróis, pára-brisas, limpadores, etc.”, completa Uchoa.
O projeto de modernização inclui ainda a substituição dos sistemas eletropneumáticos, visando um melhor desempenho do comando de tração e de frenagem, e a revisão geral dos equipamentos de segurança operacional do trem: a substituição de rodas, eixos, rolamentos, pinos, buchas e outros elementos mecânicos de desgaste. Atualmente os trens entregues encontram-se em fase de teste na Linha F da CPTM, que liga as estações Brás e Calmon Viana. “Aparentemente todos os carros estão ótimos, eu diria que em plenas condições de funcionamento para suportar a demanda de passageiros que transitam todos os dias nessa linha. Sem dúvida nenhuma é o melhor trabalho que já vimos até agora, e o Grupo Tejofran, através do Consórcio BT Brasil, cumpriu muito bem o seu papel. Ainda estamos em fase de teste para validar se os trens atendem a todos os requisitos técnicos estabelecidos pela CPTM, mas creio que todos os critérios foram levados em consideração durante a reforma e modernização, tanto que em todos os testes realizados até o momento não observamos nenhuma falha técnica”, destaca Victor Garcia, engenheiro da CPTM responsável pelo contrato.
Vale destacar que, para garantir a qualidade e eficácia do serviço, o Grupo Tejofran contou ainda com o apoio do seu Departamento de Recursos Humanos no processo de seleção dos profissionais que trabalham no contrato. “O Departamento de Recursos Humanos conduziu a avaliação psicológica e comportamental de cada um dos candidatos. Além disso, levou em consideração principalmente os critérios de capacitação e experiência profissional, definidos pelo próprio gestor, e que na prestação de serviços como esses são sempre muito criteriosos”, conta Lílian Arbelli, coordenadora de Desenvolvimento Organizacional do Grupo Tejofran.
Segundo Sergio Uchoa, uma obra deste porte necessita de profissionais dedicados e responsáveis. “Diariamente esses trens irão beneficiar milhares de pessoas, e os projetos de reformas e modernizações foram muito mais viáveis para a CPTM do que a compra de equipamentos novos. A nossa obrigação é fazer o melhor. Fora isso, este é o primeiro projeto deste nível e, entre diversos benefícios, o Grupo Tejofran tem agora o seu Certificado de Habilitação de Trens Elétricos para Passageiros Urbanos (metrô/ferrovia), o que reafirma o padrão de excelência em qualidade dos nossos serviços”, finaliza Uchoa.
Outras atuações
Além do Consórcio BT Brasil, o Grupo Tejofran atende ainda a MRS Logística com serviços de manutenção, inspeções leves, transformação, reconstrução e reparo de vagões, mão-de-obra e serviço de socorro (SOS).
Já para o Governo do Estado de São Paulo, participa do Consórcio Variante de Poá, com as empresas Heleno Fonseca, SPA e O&M, o qual está realizando a extensão de 37 km do trecho da Linha F (Brás - Calmon Viana), beneficiando por dia mais de 120 mil pessoas. Além é claro, de aumentar a confiabilidade do sistema, melhorar a acessibilidade, o conforto e a segurança.
Com obras já iniciadas, a primeira etapa irá construir três novas estações, Jardim Helena, Jardim Romano e USP Leste. As estações, Itaim Paulista e Comendador Ermellino, já estão sendo remodeladas. Quando concluída, as obras irão possibilitar a redução dos intervalos entre os trens de nove para sete minutos nos horários de pico, o que levará o aumento de trens em circulação, transportando cerca de 70 mil usuários a mais.
Outras intervenções também estão programadas, como: projetos e reformas em subestações elétricas, cabines seccionadoras, projetos de vias permanentes, adaptações para rede aérea, projetos para sinalização e telecomunicações, e a construção de um pátio em Manoel Feio.
Para Flávio Muller, engenheiro do consórcio Variante de Poá, essa obra coroa todo um trabalho que já vem sendo feito na CPTM ao longo dos anos, pois este projeto exige planejamento em todas áreas do sistema ferroviário. “O Grupo Tejofran já realizou isoladamente outras obras na CPTM, mas esta especificamente envolve a construção das estações, a reforma da via permanente, a construção do sistema de transmissão óptica, a sinalização ferroviária e o suprimento de energia tudo de uma só vez. Além disso, a CPTM vê com bons olhos o trabalho que estamos realizando, afinal, tudo tem sido feito com os trens em movimento, ou seja, as estações não param para realizarmos as obras, e nós nunca fizemos algo envolvendo todos estes sistemas ferroviários ao mesmo tempo”, completa.
Segundo o diretor de desenvolvimento de negócios do Grupo Tejofran, Telmo Giolito Porto, trata-se da mais importante obra de transporte urbano ferroviário em execução no país. “A modernização da Linha, associada a suas condições topográficas favoráveis, resultará em alto nível de qualidade e confiabilidade do serviço para uma das regiões mais populosas de São Paulo. Para a Tejofran é motivo de orgulho participar de uma obra deste porte, além disso, quando finalizada, a CPTM poderá oferecer transporte de alta qualidade nessa localidade, incluindo Itaim e São Miguel Paulista”, finaliza.
O fato é que hoje a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) é um dos principais clientes do Grupo Tejofran. Prova disso é participação da empresa no Consórcio Linha Leste, onde é responsável pela execução das obras de manutenção preventiva, corretiva e emergencial da Linha “E” da CPTM (Brás – Estudantes) e, de acordo com o engenheiro Mauro Caetano D`Almeida, representante da Tejofran no conselho de administração do consórcio, o projeto envolve duas fases, sendo que a primeira delas já foi concluída. “Durante os três primeiros anos, o foco do trabalho foi a restauração da linha. Precisávamos colocá-la em condições normais, e obtivemos sucesso”, explica.
Já a segunda fase consiste na manutenção propriamente dita, realizada 24 horas por dia. São executados serviços de manutenção da superestrutura envolvendo fornecimento e substituição de dormentes, trilhos, fixações, lastro, juntas, soldas, pára-choques e aparelhos de mudança de via. Na infra-estrutura são executados serviços de limpeza e construção de canaletas, drenos superficiais e profundos, canais, passagens de nível, cortes, aterros, contenções, capina e roçada.
Para execução desses serviços, o Grupo Tejofran conta com mão-de-obra própria e equipamentos como locomotiva, vagões de serviços, máquina socadora e reguladora de lastro, caminhão de linha, veículos rodoviários e outras máquinas leves de via. |